Kely, agora na Academia Juvenil da Orquestra Petrobras Sinfônica

Kely se formou na primeira turma da Academia Juvenil da Orquestra Petrobras Sinfônica

Matéria do O Globo – Mauro Ventura

Foto: Lúcia Caldas

Encontro o maestro Márcio Selles e pergunto por sua Orquestra de Cordas da Grota. Em 2015, vão se completar 20 anos que ele fundou, com a mulher Leonora, um projeto social admirável, que transforma crianças e jovens da Favela Grota do Surucucu, em Niterói, em instrumentistas e professores de música erudita. Hoje, são mais de 250 alunos na Grota, além de mais de 300 em outros 12 núcleos — nove em outras comunidades de Niterói e três em Friburgo, Maricá e Itaboraí. Já lançaram três CDs e fazem cerca de 30 concertos por ano. Peço a Márcio que me cite uma promessa da orquestra. Ele me fala da violoncelista Kely Cristina da Conceição Pinheiro, de 15 anos, há dez no projeto. “Ela tem bastante facilidade, além de paixão e amor pela música.” No dia 7 de dezembro, Kely se formou também na primeira turma da Academia Juvenil da Orquestra Petrobras Sinfônica, após dois anos. “Kely é extremamente musical”, diz Felipe Prazeres, professor de prática da Academia, spalla e maestro assistente de Isaac Karabtchevsky na Petrobras Sinfônica. “Ela tem concentração, foco e disciplina. É muito séria, foi uma aluna brilhante.”

REVISTA O GLOBO: Como você foi parar na Orquestra da Grota?

KELY CRISTINA: Não tem nenhum músico na minha família. Meus pais se separaram pouco depois que nasci. Minha avó e minha mãe, domésticas, queriam me botar em algo para ocupar minhas manhãs, já que elas precisavam sair para trabalhar e a escola era só à tarde. E não havia outro projeto aqui na favela. Eu tinha de 5 para 6 anos. Desde pequena não queria seguir a mesma linha delas (ser doméstica). Ninguém cresce tendo em mente que deve seguir obrigatoriamente o caminho dos pais. Há muitas possibilidades de se ter sucesso. A música é muito forte em mim, mas já pensei num plano B: Engenharia de Produção. Graças ao projeto, tenho bolsa de estudos na escola AEN e lá há muito estímulo para a área de exatas.
Que instrumentos você toca?

Comecei com flauta doce, depois descobri piano, violoncelo, violão e outras flautas. Na igreja evangélica que frequento, conheci guitarra, bateria, teclado e baixo elétrico. Falta contrabaixo acústico, mas se me der não vai ser difícil tocar. Quero aprender ainda saxofone, porque adoro jazz. Meu estilo musical é eclético, gosto de rock indie, folk rock, bossa nova, black music, gospel, hip hop, rap. Não gosto de funk e pagode. Estou correndo atrás de um sax emprestado.

Em 02/01/2014

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